Chegar na Costa Rica e assistir o sol nascer no Oceano Atlântico e se pôr no Oceano Pacífico. Foi para isso que Joaquin Ignacio Turenne, 25 anos, saiu do Chile, pilotando uma Vespa, há cerca de dois meses. Até voltar para o seu país, daqui dois ou três anos, ele deve passar por todos países da América Latina. Joaquin viaja na motocicleta junto com a sua companheira inseparável: a cadela Kiara.
_ Ela era o mascote da nossa família, mas, para mim, ela é muito mais do que um mascote, ela é minha amiga e minha companheira _ conta.
Enquanto fazia faculdade de Engenharia Comercial, na cidade de Concón, Joaquin trabalhava, nos finais de semana, como jogador de futebol amador. O dinheiro foi usado para realizar o seu sonho: comprar a moto e viajar. Assim que fez as provas finais no curso, mesmo sem saber suas notas, ele partiu. Ficou sabendo que estava aprovado quando já estava na cidade de Córdoba, na Argentina.
Na moto, além da mochila de roupas e de Kiara, ele carrega uma barraca, um saco de dormir e um anzol.
_ Levando essas coisas, tenho casa, onde dormir e como pegar comida, caso seja necessário _ explica.
Em alguns lugares, como em Santa Maria, ele fica hospedado em casas de pessoas que conhece por meio de grupos de colecionadores de vespas. Em outros, acampa ou trabalha para juntar dinheiro. Desde de saiu de sua cidade natal, Joaquin já foi assador, garçom, pintor, pedreiro e trabalhou em uma fábrica de tijolos e diz que "aprende rápido" qualquer coisa.
A família santa-mariense que recebeu Joaquin já hospedou outros viajantes da América Latina. O casal Cristiane e Derli Stello e suas três filhas abrigaram mochileiros do Uruguai, do Peru e do Equador:
_ A gente faz isso para ajudar as pessoas, mas também é uma forma de conhecer e se aproximar de outras culturas. Cada um que vem aqui em casa, deixa um pouco e leva um monte, porque sempre nasce uma amizade. O último hóspede ficou 25 dias e, na hora de despedir, foi um choro só _ conta Cristiane.
Joaquin viaja sem GPS e sem celular. A rota é sempre planejada em cima da hora: ele procura o lado onde não está chovendo, ou uma cidade onde conhecidos estão esperando. Sempre que tem oportunidade, manda e-mails ou telefona para a família. As aventuras da viagem são registradas em uma página no Facebook, chamada Kiara y Juaco.
Ao fim da viagem, intenção é dividir as experiências
No espaço virtual, é possível ver fotos do viajante até com o presidente do Uruguai, Pepe Mujica. Ele afirma que ainda é cedo para afirmar o que vai fazer quando voltar ao Chile, mas deseja construir um pequeno hostel para compartilhar histórias com outros viajantes. Quando perguntado sobre a lição que já teve neste início de viagem, a resposta é:
_ Existem muitas pessoas boas, a gente sabe. Eu estou sentindo na pele que existem pessoas boas no mundo, que são verdadeiros anjos e que nos ajudam quando mais precisa.